Dubitanto ad veritatem

Desde muito pequeno eu escuto uma antiga história de família, passado do líder do clã para o seu primogênito. Uma história que exalta a coragem e determinação de meus antepassados, e me prepara para o que está por vir daqui a 2 semanas, quando eu completo precisos 14 anos e 14 meses. Desde pequeno eu ouço falar da Macieira Azul. Read more…

Published on May 28, 2009 at 7:21 pm.
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Acaso

Olá, o ontem nunca chegou a começar. Quando eu saí da cama, foi com a convicção de que o sono não tardaria a vir. Entrei no banho. Me distraí desenhando nas paredes do box com o sabonete e me peguei pensando em uma frase do Nietzsche: “Há uma inocência na mentira, que é o sinal da boa fé em uma causa”. Não sei se entendo bem, mas sei que Nietzsche ganha de longe como pior leitura em noites de quetionamento existencial.

Me vesti com a mesma roupa cinzenta de qualquer dia, prendi o cabelo da mesma for bagunçada no lugar certo. Decidi tomar o café-da-manhã na rua, a vontade de preparar algo em casa mesmo inexistia, quase como eu no mundo. Pessoas como eu passam pela vida sozinhas, no máximo se leva e se deixa um pouco com cada rosto que eu já vi ao acordar. Deixei o alívio do ir embora sem precisar olhar para tras e para o lençol manchado, e trago o vazio dos olhares cínicos. Read more…

Published on May 08, 2009 at 12:50 pm.
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Repetição

Tic-Tac, tique TOC, divisível apenas por números primos ou por si próprio. Escolha um caminho e desista, vá ao trabalho, dê o seu máximo, pense na vida, conheça alguém de cabelos dispersos e olhos flamejantes, fume um cigarro, grite com alguém, wiederholenzwang, abraçe um poste, um post, um posto e uma pasta, um cesto de lixo.

Venha até aqui, implore por ajuda, se faça de superior, preencha um cadastro, fure a fila, roube uma senha, use pro bem e depois cuspa em cima, queira que se foda, parta o seu coração, pregue descaso na sua mente, a marteladas mesmo, sinta um arrepio, wiederholenzwang, ignore as pessoas, ande no escuro, beba sozinho, ande mais um pouco, cada vez mais pra baixo, seja na rua ou em si mesmo, saia pra almoçar. Read more…

Published on May 06, 2009 at 2:28 pm.
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Um dia cinzento, por assim dizer.

Houve um tempo em que era fácil. Bastava um único segundo de desapego e pronto, as coisas brotavam em algum canto da mente, normalmente aquele mais negligênciado, chamando atenção de uma forma impossível de ignorar. Era fácil, pegar coisas aleatórias e transformar em algo concreto sem fazer concessões.

Houve um tempo em que era fácil lidar com a pressão, não haviam os prazos, as diretrizes, o excesso de informações e até o perfeccionismo ariano era mais ameno. Mas hoje, tudo se resume a quando, quanto, pra quem. Seguindo o único caminho que não se tornou insuportável dentro do seu próprio absurdo: como é que eu vou me foder menos no final?

Houve um tempo em que não parecia que minha cabeça ia explodir a qualquer instante, tempo em que eu podia simplesmente colocar as emoções pra fora entre gritos e borrões de tinta. Agora eu guardo as emoções até elas inflamarem, e vou soltando aos poucos pra dramatizar meus argumentos.

Começa aqui a minha última tentativa, exatamente igual a primeira.

Published on Apr 22, 2009 at 10:36 am.
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