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	<title>Crônicas Flamejantes</title>
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	<description>Pequenos fatos e outras estórias</description>
	<pubDate>Wed, 26 Aug 2009 15:04:04 +0000</pubDate>
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		<title>Dubitanto ad veritatem</title>
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		<pubDate>Thu, 28 May 2009 21:21:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Flames</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Delírios perdidos]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde muito pequeno eu escuto uma antiga história de família, passado do líder do clã para o seu primogênito. Uma história que exalta a coragem e determinação de meus antepassados, e me prepara para o que está por vir daqui a 2 semanas, quando eu completo precisos 14 anos e 14 meses. Desde pequeno eu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desde muito pequeno eu escuto uma antiga história de família, passado do líder do clã para o seu primogênito. Uma história que exalta a coragem e determinação de meus antepassados, e me prepara para o que está por vir daqui a 2 semanas, quando eu completo precisos 14 anos e 14 meses. Desde pequeno eu ouço falar da Macieira Azul.<span id="more-65"></span></p>
<p>A história diz que o fruto da Macieira, tem a casca azul, brilhante como se fosse feita de safira, e o interior é vermelho, com o gosto do sangue dos que não acreditam no seu poder. Ao comer a Maçã Azul, não só serei abençoado com a sabedoria de meus parentes, como terei forças suficientes para levar adiante minha dinastia, quando chegar a hora.</p>
<p>* * *</p>
<p>Quatro horas. Estou sentado aqui a quatro horas e a Maçã Azul ainda não apareceu em meio aos galhos. Está ventando muito, e as rajadas de ar trazem consigo pequenas gotas de chuva que se chocam contra meu rosto, com tal ferocidade que poderiam me cortar em pedaços.</p>
<p>Eu sempre tive medo do escuro, mas esta noite gostaria de enfrentar todos os monstros que habitam as histórias infantis que minha mãe me contava. Está escuro, e a minha espreita estão apenas os meus próprios demônios, rindo de mim, e prontos para me impedir de completar minha tarefa. Hoje a noite não há salvação, os que não conseguiram morreram tentando.</p>
<p>* * *</p>
<p>Uma aranha desceu o tronco e parou suficientemente perto do meu ombro, de modo que eu possa ouvir o que ela fala:<br />
- Faltam apenas 20 minutos para o alvorecer.<br />
- Estou ciente disso. Respondi com a voz embargada. A Maçã ainda não apareceu.<br />
- Quisera eu ser a portadora de uma boa notícia. Quem me dera vir lhe dizer que a Maçã está dobrando alguma esquina da existência a poucos minutos daqui. Entretanto, estou aqui para lhe alertar que você está fadado ao fracasso.<br />
- Não posso! Os homens de minha família são como deuses, é meu destino.<br />
- Reconheço que é tentador afirmar ser um deus, ao invez de um homem. Mas sempre há opções, Como deus, você não teria o direito de interferir na vida dos homens. Mas se é o seu desejo, há opções&#8230;</p>
<p>* * *</p>
<p>Estou parado à beira de um lago, nunca reparei como ele bonito. Na verdade, as únicas vezes que desviei meu olhar para essa direção, foi para olhar com desprezo as crianças de classe inferior que aqui brincam nas tardes quentes de uma verão sufocante.</p>
<p>Com um grande suspiro, coloco todo o ar de meus pulmões para fora e me deixo cair na água, para nunca mais sair. A partir de hoje eu não sou um homem, e muito menos afirmo que sou um deus&#8230; Eu sou uma força da natureza.</p>
<p>E tenho pena das crianças.</p>
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		<title>Acaso</title>
		<link>http://www.sketchgun.com/blog/2009/05/08/acaso/</link>
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		<pubDate>Fri, 08 May 2009 14:50:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Flames</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Delírios perdidos]]></category>

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		<description><![CDATA[Olá, o ontem nunca chegou a começar. Quando eu saí da cama, foi com a convicção de que o sono não tardaria a vir. Entrei no banho. Me distraí desenhando nas paredes do box com o sabonete e me peguei pensando em uma frase do Nietzsche: &#8220;Há uma inocência na mentira, que é o sinal [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá, o ontem nunca chegou a começar. Quando eu saí da cama, foi com a convicção de que o sono não tardaria a vir. Entrei no banho. Me distraí desenhando nas paredes do box com o sabonete e me peguei pensando em uma frase do <span>Nietzsche: &#8220;Há uma inocência na mentira, que é o sinal da boa fé em uma causa&#8221;. Não sei se entendo bem, mas sei que Nietzsche ganha de longe como pior leitura em noites de quetionamento existencial.</span></p>
<p>Me vesti com a mesma roupa cinzenta de qualquer dia, prendi o cabelo da mesma for bagunçada no lugar certo. Decidi tomar o café-da-manhã na rua, a vontade de preparar algo em casa mesmo inexistia, quase como eu no mundo. Pessoas como eu passam pela vida sozinhas, no máximo se leva e se deixa um pouco com cada rosto que eu já vi ao acordar. Deixei o alívio do ir embora sem precisar olhar para tras e para o lençol manchado, e trago o vazio dos olhares cínicos.<span id="more-60"></span></p>
<p>Sentei no banco de uma praça no centro. As árvores velhas balançando suavemente, as calçadas quebradas, os pombos voando e voando. Talvez eu devesse voltar para casa, talvez eu devesse entrar no primeiro ônibus que aparecesse. Talvez eu não devesse cobiçar tanto a perfeição, perceber todos os gestos e cores, valorizar tanto os sonhos.</p>
<p>Lembrei do rapaz que me apareceu subitamente semanas atras, acabara de ser assaltado a algumas quadras deste mesmo banco de praça. Eu o ajudei a contragosto, e evitei olhar em seus olhos da melhor forma que pude, fosse por asco da boca cortada e o colarinho sujo de sangue, fosse por não conseguir encarar o meu próprio reflexo. Me dou o benefício da dúvida, para não me enganar mais uma vez. Ele me agradeceu formalmente, virou as costas e se foi. Que bom, pensei. Moça, será que posso usar o seu telefone? Levantei a cabeça e o encarei pela primeira vez. Me apaixonei naquele instante. Não respirei durante os 2 minutos que duraram sua ligação. Soltei a respiração e sua presença. Nunca mais o ví.</p>
<p>Se tudo fosse perfeito hoje, eu pularia em um abismo.</p>
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		<title>Repetição</title>
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		<pubDate>Wed, 06 May 2009 16:28:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Flames</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Delírios perdidos]]></category>

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		<description><![CDATA[Tic-Tac, tique TOC, divisível apenas por números primos ou por si próprio. Escolha um caminho e desista, vá ao trabalho, dê o seu máximo, pense na vida, conheça alguém de cabelos dispersos e olhos flamejantes, fume um cigarro, grite com alguém, wiederholenzwang, abraçe um poste, um post, um posto e uma pasta, um cesto de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tic-Tac, tique TOC, divisível apenas por números primos ou por si próprio. Escolha um caminho e desista, vá ao trabalho, dê o seu máximo, pense na vida, conheça alguém de cabelos dispersos e olhos flamejantes, fume um cigarro, grite com alguém, wiederholenzwang, abraçe um poste, um post, um posto e uma pasta, um cesto de lixo.</p>
<p>Venha até aqui, implore por ajuda, se faça de superior, preencha um cadastro, fure a fila, roube uma senha, use pro bem e depois cuspa em cima, queira que se foda, parta o seu coração, pregue descaso na sua mente, a marteladas mesmo, sinta um arrepio, wiederholenzwang, ignore as pessoas, ande no escuro, beba sozinho, ande mais um pouco, cada vez mais pra baixo, seja na rua ou em si mesmo, saia pra almoçar.<span id="more-55"></span></p>
<p>Faça parte de uma banda, chegue antes do horário, e vá embora antes também, levante uma muralha, pra se proteger da hipocrisia lá de fora, mantenha a sua só para sí, pense na questão dos índios, e dos pinguins e das caixas de correio, minta para uma pessoa, e seja pego mentindo, sinta orgulho disso, coloque em prática seus fetiches, se for contra os princípios, melhor, talvez seja pra ser assim, pense negativo, escreva em uma árvore, a pior coisa que você conseguir pensar, e coloque na eternidade, veja as pessoas desviando os olhos, os casais de namorados no metrô, wiederholenzwang, olhe com desprezo, chute a bengala de um cego, chute um cachorro, persiga uma ilusão despedaçada.</p>
<p>Chame seu maço de cigarros de companheiro, seu copo de conhaque de meu amor, conte o seu segredo mais sórdido pra mosca que acabou de pousar na mesa, sopre as cinzas na cara do garçom, não cuspa no chão, pague a conta toda, ou saia sem pagar, use muitas vírgulas, ou nenhuma, solte um jorro de revolta, conviva com sua dor, mas desconte no seu maior cúmplice, mantenha sua raiva sempre fora de controle, seja mais produtivo, não ligue pra prioridades, o mais importante é não ter dor de cabeça, sempre, sempre, sempre discuta com todas as suas armas, nunca tenha razão em seus argumentos, contradiga seu ponto de vista, exagere, se você está errado, o resto do mundo está também, lamente-se por existir, seja covarde o bastante pra continuar vivendo, e corajoso o suficiente para aceitar, wiederholenzwang, para mim e para você, amém.</p>
<p>Seja paranóico, verifique a fechadura, tente abrir a porta por dentro, no mínimo 3 vezes, nunca relaxe, sente de costas para a parede, olhe para cima e para baixo, seja maníaco, viva neurótico, morra louco, ressucite como um deus, crie como um macaco, receba ordens como um rei, conduza como um escravo, olhe para as academias com tristeza, desenhe coisas lindas, com um traço horrível,  wiederholenzwang, faça as coisas com compulsão, desista do inacabado, faça de novo o que deu certo, faça com que dê errado dessa vez, já está acabando, vá para a cama, role sem parar, sinta-se em um carrossel pegando fogo, subindo e descendo, bata a cabeça na parede, caia da cama, levante, tome uma dose, pense nos carneirinhos, e conte as horas pro mundo acabar, escreva uma história, descreva todas as histórias que já escreveu, e justifique o vazio das palavras, só mais um pouco, só mais uma noite, de cada vez, segundo a segundo, wiederholenzwang, você pode fazer, mesmo não querendo, fé, anfetamina e um abraço.</p>
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		<title>Um dia cinzento, por assim dizer.</title>
		<link>http://www.sketchgun.com/blog/2009/04/22/um-dia-cinzento-por-assim-dizer/</link>
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		<pubDate>Wed, 22 Apr 2009 12:36:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Flames</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Delírios perdidos]]></category>

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		<description><![CDATA[Houve um tempo em que era fácil. Bastava um único segundo de desapego e pronto, as coisas brotavam em algum canto da mente, normalmente aquele mais negligênciado, chamando atenção de uma forma impossível de ignorar. Era fácil, pegar coisas aleatórias e transformar em algo concreto sem fazer concessões.
Houve um tempo em que era fácil lidar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Houve um tempo em que era fácil. Bastava um único segundo de desapego e pronto, as coisas brotavam em algum canto da mente, normalmente aquele mais negligênciado, chamando atenção de uma forma impossível de ignorar. Era fácil, pegar coisas aleatórias e transformar em algo concreto sem fazer concessões.</p>
<p>Houve um tempo em que era fácil lidar com a pressão, não haviam os prazos, as diretrizes, o excesso de informações e até o perfeccionismo ariano era mais ameno. Mas hoje, tudo se resume a quando, quanto, pra quem. Seguindo o único caminho que não se tornou insuportável dentro do seu próprio absurdo: como é que eu vou me foder menos no final?</p>
<p>Houve um tempo em que não parecia que minha cabeça ia explodir a qualquer instante, tempo em que eu podia simplesmente colocar as emoções pra fora entre gritos e borrões de tinta. Agora eu guardo as emoções até elas inflamarem, e vou soltando aos poucos pra dramatizar meus argumentos.</p>
<p>Começa aqui a minha última tentativa, exatamente igual a primeira.</p>
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